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ANPD 2026-2027: o que o Mapa de Temas Prioritários cobra da sua empresa

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05 Maio 2026ANPD 2026-2027: o que o Mapa de Temas Prioritários cobra da sua empresa
Equipe BS IT SolutionsSegurança Digital5 min de leitura

ANPD 2026-2027: o que o Mapa de Temas Prioritários cobra da sua empresa

O Mapa de Temas Prioritários 2026-2027, publicado pela ANPD no fim de 2025, define quatro temas prioritários de fiscalização para o biênio. Na prática, isso significa que a fiscalização da LGPD deixou de ser difusa e passou a ter foco declarado, o que muda a natureza do trabalho da sua empresa: em vez de tentar estar pronta para tudo ao mesmo tempo, você agora consegue priorizar. O que a ANPD cobra não é opinião nem boa intenção, é evidência documentada de como os dados pessoais são tratados, quem responde por eles e o que acontece quando algo dá errado.

O que é o Mapa de Temas Prioritários

É o documento em que a ANPD declara publicamente onde vai concentrar atenção nos próximos dois anos. A agência publicou o mapa referente ao período de 2026 a 2027 no fim de 2025, com quatro temas prioritários, e o material oficial está disponível no gov.br.

Uma recomendação antes de qualquer coisa: leia o documento original da ANPD, na íntegra, antes de fechar o seu plano interno. A redação oficial é o que vale, e resumo de terceiro costuma perder a nuance que define se um tema alcança ou não a sua operação. Neste artigo, o foco é outro e complementar: o que a existência de um mapa de prioridades muda no seu planejamento e como se preparar de um jeito que serve a qualquer um dos temas.

Por que uma lista de prioridades muda o seu planejamento

Antes de existir um foco declarado, a conformidade com a LGPD virava um projeto sem fim: tudo era importante, nada era urgente e o assunto morria na primeira semana difícil. Um mapa de prioridades resolve exatamente esse problema de gestão, por três motivos.

  • Dá ordem à fila. O que a autoridade declarou como prioridade entra antes na sua fila de trabalho, e isso é defensável em reunião de diretoria.
  • Transforma risco difuso em risco datado. Biênio declarado é horizonte de planejamento, e horizonte de planejamento vira linha de orçamento.
  • Permite preparar evidência antes da demanda. Reunir documentação depois que a autoridade pergunta é caro, apressado e costuma expor lacunas que ninguém teve tempo de tratar.

O que a ANPD já fez, para calibrar o risco

Vale separar o risco teórico do risco observado, porque a diferença entre os dois é grande e leva muita empresa a decidir errado nos dois sentidos: ou entra em pânico, ou ignora.

Do lado teórico, a sanção pode chegar a 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração. Do lado observado, até o levantamento a ANPD abriu pelo menos 9 processos administrativos sancionadores, e apenas uma empresa privada foi efetivamente multada: uma microempresa de telemarketing, que recebeu duas multas somando R$ 14.400.

A leitura que fazemos desse contraste, e aqui é interpretação nossa, é que a agência ainda está em fase de construção de precedente. O risco concreto para uma média empresa hoje é menos a multa e mais a soma de três coisas: bloqueio de dados, dano reputacional e custo de remediação sob pressão. Esse ponto merece atenção porque o art. 52 da LGPD prevê 9 tipos de sanção, e a multa é apenas um deles. Advertência, bloqueio e eliminação dos dados também estão na lista, e bloqueio de base de dados costuma parar a operação de um jeito que nenhuma multa para. Aprofundamos os números no artigo sobre quanto custa de verdade uma multa da LGPD.

O detalhe que mais importa para quem decide orçamento

O Regulamento de Dosimetria, de 2023, trata a existência de um programa de governança em privacidade como atenuante formal no cálculo da sanção. Isso tem uma consequência prática direta: o trabalho de documentar governança não é apenas prevenção, ele tem efeito mesmo no cenário em que algo dá errado. É um dos poucos investimentos de conformidade em que a empresa colhe benefício nos dois desfechos possíveis.

Como transformar o Mapa em plano de ação

Independentemente de qual dos quatro temas toque mais de perto a sua operação, a preparação passa pelas mesmas frentes, porque a autoridade sempre vai pedir a mesma coisa: mostre o que você faz e prove. A tabela abaixo organiza esse trabalho pela pergunta que você precisa conseguir responder com documento na mão.

Frente Pergunta que você precisa responder Evidência que precisa existir
Mapeamento de dados Quais dados pessoais a empresa trata, onde estão e por quanto tempo ficam? Inventário de dados por sistema, com finalidade, base legal e prazo de retenção
Transparência O titular sabe o que você faz com os dados dele? Aviso de privacidade atualizado, coerente com o que os sistemas realmente fazem
Direitos do titular Se alguém pedir acesso ou exclusão hoje, quem atende e em quanto tempo? Canal de contato publicado, fluxo interno definido e registro dos pedidos atendidos
Segurança técnica Quem tem acesso ao quê, e como você sabe disso? Controle de acesso por perfil, autenticação multifator, registro de log e backup testado
Fornecedores Quem mais toca nos seus dados e sob qual contrato? Lista de operadores, cláusulas de proteção de dados e avaliação de risco do fornecedor
Resposta a incidente Se vazar hoje, quem decide, quem comunica e para quem? Plano de resposta escrito, com papéis nomeados e registro dos incidentes tratados
Governança Existe um programa vivo ou uma pasta parada? Política aprovada pela direção, encarregado nomeado, treinamento e cadência de revisão

Repare que quase toda a coluna da direita é infraestrutura de TI, não texto jurídico. Controle de acesso, log, backup testado e inventário são entregas técnicas. É por isso que projeto de LGPD conduzido só pelo jurídico costuma travar: o documento fica bonito e os sistemas continuam sem evidência para sustentá-lo. O caminho de adequação passo a passo está no artigo sobre LGPD e adequação de empresas em São Paulo.

Os erros que mais aparecem em média empresa

  1. Aviso de privacidade que descreve uma empresa diferente. Texto genérico copiado de modelo, que promete práticas que os sistemas não executam. Isso é pior que não ter, porque documenta a divergência.
  2. Encarregado nomeado só no papel. A pessoa existe no site, não tem tempo alocado, não recebe os pedidos e não sabe que é encarregada.
  3. Acesso de ex-funcionário ativo. É o achado mais comum em diagnóstico de segurança e o mais difícil de justificar diante de qualquer questionamento.
  4. Dados pessoais em planilha solta. Base exportada do sistema para uma planilha na área de trabalho de alguém, sem controle, sem retenção e sem log.
  5. Retenção infinita. Guardar tudo para sempre porque nunca ninguém definiu prazo. Cada ano a mais de dado guardado sem finalidade é risco puro, sem contrapartida.
  6. Programa que parou no primeiro ano. Política aprovada em 2021, nunca revisada, com sistema que mudou três vezes desde então. Governança sem cadência de revisão perde valor como atenuante e como proteção.

Um plano de 30 dias para sair do zero

Se hoje a sua empresa não tem nada estruturado, este é o roteiro que gera mais resultado com menos esforço. Ele não substitui assessoria jurídica, e não pretende: cobre a parte técnica e de gestão, que é a que normalmente atrasa.

  • Semana 1. Ler o documento oficial da ANPD e listar quais sistemas da empresa tratam dados pessoais. Uma planilha simples com sistema, tipo de dado, quem acessa e onde fica hospedado já é um começo válido.
  • Semana 2. Revisar acessos. Desativar contas de ex-funcionários, remover permissão que ninguém usa há meses e ligar autenticação multifator no e-mail e nos acessos administrativos.
  • Semana 3. Verificar backup e log. Testar uma restauração de verdade, confirmar que existe registro de acesso aos sistemas críticos e definir por quanto tempo esse registro é guardado.
  • Semana 4. Nomear formalmente o encarregado, publicar o canal de contato do titular e escrever a primeira versão do plano de resposta a incidente, com nomes e telefones. Detalhamos essa parte no texto sobre plano de resposta a incidentes e comunicação à ANPD.

Ao fim de 30 dias você não estará em conformidade plena, e nenhuma empresa fica em um mês. Mas terá inventário, acesso controlado, backup testado, encarregado real e plano de resposta, que é exatamente o conjunto de evidências que sustenta a existência de um programa de governança.

Perguntas frequentes

Minha empresa é média e não vende para consumidor final. A ANPD alcança ela?

Alcança. A LGPD se aplica a qualquer organização que trate dados pessoais no Brasil, e isso inclui dados de funcionários, candidatos a vaga, contatos em empresas clientes e fornecedores. Empresa que atende apenas outras empresas costuma achar que está fora do escopo, e essa é justamente a base de dados que fica sem controle nenhum.

Preciso contratar um encarregado externo?

Não necessariamente. A função pode ser exercida por alguém interno, desde que a pessoa tenha tempo alocado, autonomia para pedir informação nas áreas e acesso direto à direção. O que não funciona é nomear alguém sem contrapartida real de agenda, porque o papel só cumpre a finalidade se conseguir responder ao titular e à autoridade dentro do prazo.

Conformidade com a LGPD é assunto do jurídico ou da TI?

Dos dois, e é por isso que costuma emperrar. O jurídico define base legal, redige política e avalia risco. A TI entrega o que sustenta tudo isso: inventário de sistemas, controle de acesso, log, backup testado e capacidade de responder a um incidente. Sem a parte técnica, a documentação não tem lastro. Sem a jurídica, a técnica não sabe o que precisa provar. O modelo de governança que amarra as duas frentes está no artigo sobre governança de TI para médias empresas.

Como a BS IT Solutions pode ajudar

A BS IT Solutions atua na camada técnica da conformidade, que é a que gera evidência: cyber security, controle de acesso e autenticação multifator, política de backup com teste de restauração, monitoramento com NOC 24x7 e registro de atividades nos sistemas críticos. Atendemos empresas em São Paulo e região metropolitana de forma presencial, e em todo o Brasil de forma remota.

Se você precisa sair da fase de intenção e chegar à fase de evidência, comece por um diagnóstico do ambiente atual. Fale com um especialista da BS IT Solutions.

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